Vista parcial da minha cidade natal: Amparo, Estado de São Paulo, Brasil.


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domingo, 6 de julho de 2014

Ponha-se na Rua!

Um pouco de história do Brasil!

Rememorando fatos do Brasil Colônia:


Imagine que você está em casa, numa agradável manhã de domingo, e um funcionário do governo bate na porta e lhe dá três dias para você sair de casa e deixar tudo o que tem dentro.

O motivo: uma outra pessoa, vindo de outro país, irá morar nela por tempo indeterminado e você terá de se virar, ou seja, arranjar outro lugar para ficar.

Embora pareça absurda a situação nos dias de hoje, plausível até de provocar uma guerra civil, isto de fato aconteceu, do mesmo jeito que está descrito. E não houve nenhum conflito generalizado.

Todos que já leram sobre a chegada do príncipe-regente D. João VI ao Brasil, em 1808, fugindo das tropas napoleônicas prestes a invadirem Portugal, conhece as inscrições P.R., de príncipe-regente, que eram colocadas nas portas das casas para que seus moradores saíssem delas e dessem lugar a alguns dos milhares de novos moradores da cidade que chegavam junto com D. João.

Entre eles, estavam fidalgos, funcionários da Corte e militares que precisavam ficar em algum lugar, já que o antigo Palácio dos Vice-Reis, atual Paço Imperial, só poderia comportar o príncipe-regente e sua família.

Era o temido sistema das aposentadorias, criticado como obsoleto pelo combativo jornalista Hipólito da Costa de seu “Correio Braziliense”, em Londres, mas aceito pela população daqui, até porque quem se recusasse teria um destino terrível.

“Ninguém podia protestar. Ninguém. No sítio da Prainha, a Cadeia do Aljube era um hirto e sombrio casarão onde se apodrecia em vida, por crimes ainda menores. Melhor era sofrer. E calar.” (1)

De qualquer forma, o povo, ironicamente, logo apelidou o P.R. de um jeito que tinha mais a ver com o jeito carioca de ser: “Ponha-se na rua!”

O fato está descrito em qualquer livro de História que fale do período, mas o mais difícil de encontrar são os detalhes, a reação das pessoas, as artimanhas para fugir da lei, os absurdos, como o de um sujeito que foi morar na casa de uma mulher e alugou o porão que ela não ficasse na rua, ou o de um cirurgião que ia atender seus pacientes a pé, já que seu veículo era utilizado pelo novo dono da casa.

Os absurdos desta situação podem ser explicados por alguns precedentes.

Os colonos, por exemplo, eram obrigados a receber em suas casas os soldados vindos da Corte, além de altos funcionários.

Numa época em que as mulheres ficavam praticamente reclusas em casa, dá para imaginar o constrangimento que surgia.

Com a Corte de D. João surgiu a figura do Juiz Aposentador, para evitar abusos, mas mesmo assim, “o que houve por toda esta cidade afinal nada mais foi do que um saque organizado, um verdadeiro assalto à propriedade privada, em favor do reinol.”

O mais interessante, no entanto, é saber como o morador da cidade conseguir driblar a lei, apelando para a improvisação e a inteligência.

Era, já naqueles tempos, o tal “jeitinho brasileiro”.

Assim, muitos colocavam andaimes nas frentes das casas e as deixavam sem reboco, janelas e às vezes até sem portas, para que desse a impressão de uma obra inacabada, impedindo, assim, que a casa fosse tomada.

Escravos eram enviados ao campo enquanto outros, fortes e saudáveis, se fingiam de doentes. Móveis bons eram camuflados, como se estivessem em estado precário.

Sim, porque além da casa, como foi dito, os novos donos podiam dispor do mobiliário, dos escravos e dos veículos do proprietário, que muitas vezes iam trabalhar a pé para que os novos donos pudessem desfrutar da carruagem.

Os proprietários “raras vezes recebiam o aluguel de seus prédios, e alguns viam-se obrigados a largar não só o domicílio, como a mobília dos aposentos!” (2)

Além disso, o dono da casa precisava entregá-la em três dias.

Muitas pessoas ficaram morando em casas que não eram suas por mais de dez anos. “Este sistema foi extingo em Portugal em 1821, mas no Brasil só terminaria dois anos depois” (3).

A população carioca na época era estimada em 60 mil pessoas, sendo a maioria escravos!

OBS1: Uma modalidade também bastante irônica da inscrição P.R. foi utlizada pelo moradores do bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, na mesma época, quando D. João e sua comitiva iam passar longas temporadas na antiga Fazenda dos Jesuítas, que hoje é o Batalhão do Exército Villagrán Cabrita.

FONTES CONSULTADAS

(1) A Corte de D. João no Rio de Janeiro – Luiz Edmundo – Rio de Janeiro – Imprensa Nacional – 1940.

(2) Moreira de Azevedo – O Rio de Janeiro (volume I) – Rio de Janeiro – Livraria Brasiliana Editora – 1969.

(3) O Rio de Janeiro Imperial – Adolfo Morales de los Rio - – Rio de Janeiro - Topbooks – 2002.

OBS2: Voltando à nossa realidade atual, comenta-se a “boca pequena” que tal fato, a exemplo do passado, poderia se repetir, mas em outros moldes “mais modernos”...!

Isso graças ao “moderno sistema de governo” do famigerado PT, o “Partido dos Trambiqueiros”, que hoje “governa” o Brasil, “exemplarmente”...! 

Veja os demandos atuais e , com certeza, coisas piores podem vir a acontecer, dependendo do “nosso ilustrado e inteligente povo brasileiro”....!

Olha só o que circula, será ou não...? Não sei não, em se tratando de PT, tudo é POSSÌVEL.....