Vista parcial da minha cidade natal: Amparo, Estado de São Paulo, Brasil.


Seja bem-vindo(a) incansável seguidor(a) e amigo(a)!

Salve incansável e fiel seguidor(a)

sábado, 3 de outubro de 2015

O Uísque!

Crônica by Apparício Torelli, Barão de Itararé (*)

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não....... 

- Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente. 

E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa!

Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi. 

Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei. 

Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei. 

Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi. 

Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção. 

Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha. 

Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção. 

Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem. 

Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. 

Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário. 

Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca ........

(*) Aparício Torelli, Barão de Itararé, o Brando, (1895/1971), "campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker", como se definia, era gaúcho e é um dos maiores humoristas de todos os tempos. Dele disse Jorge Amado: "Mais que um pseudônimo, o Barão de Itararé foi um personagem vivo e atuante, uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador, a lutar contra as mazelas e os malfeitos".